Uma barragem localizada na África do Sul poderá colapsar a qualquer momento, libertando milhões de metros cúbicos de água e colocando o sul de Moçambique sob uma ameaça real de cheias severas. O alerta consta de uma comunicação técnica recebida pela Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH), que aponta para o agravamento acelerado da erosão na Barragem de Senteeko, situada em Barberton.
A infraestrutura integra o sistema do Rio Crocodilo, afluente do Rio Incomáti — um curso de água internacional que entra em Moçambique pela fronteira de Ressano Garcia. Em caso de ruptura, os impactos poderão ser sentidos em território moçambicano num curto espaço de tempo.
As estimativas técnicas indicam que uma descarga súbita poderá atingir caudais entre 2.300 e 2.500 metros cúbicos por segundo, volumes considerados extremamente elevados e capazes de provocar uma subida rápida e perigosa do nível do Rio Incomáti, sobretudo no seu troço inferior.
Especialistas alertam que a onda de cheia poderá alcançar Moçambique entre três e cinco dias, dependendo das condições hidrológicas e da velocidade do escoamento.
O eventual aumento do caudal ameaça diretamente comunidades densamente povoadas do Baixo Incomáti, como Xinavane, Ilha Josina Machel, Moamba, Magude, Manhiça e Marracuene. Mais de 40 mil pessoas vivem em zonas suscetíveis a inundações caso o pior cenário se confirme.
Para além das habitações, estão em risco campos agrícolas, escolas, unidades sanitárias e sistemas de abastecimento de água, estruturas já fragilizadas pelas chuvas intensas registadas nos últimos dias. A progressão das águas poderá ainda atingir pontos vulneráveis da Estrada Nacional Número Um (N1), principal eixo rodoviário do país, podendo causar condicionamentos ou mesmo a interrupção do tráfego.
Até ao momento, não há confirmação de ruptura da barragem. No entanto, as autoridades classificam a situação como crítica e de risco elevado, exigindo monitoria contínua devido ao carácter transfronteiriço do sistema hidrográfico do Incomáti. A DNGRH garante que continuará a acompanhar a evolução do cenário e a partilhar informação técnica relevante à medida que novos dados forem disponibilizados.
Texto: Alexandre Massango

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